Quem é Willian?
Olá, me chamo Willian. Sou escritor… ou talvez não exatamente.
minha trajetória
Prefiro dizer que sou alguém que encontrou na escrita um meio de expressar e organizar a própria visão de mundo. Muitas vezes, não me vejo como um autor no sentido tradicional, pois não quero me limitar a esse rótulo. Sou, antes, alguém que se encanta com o mundo e desenvolve percepções próprias da realidade, mas que nem sempre encontra tempo ou forma de compartilhá-las verbalmente. Por isso, escrever se tornou um meio mais eficiente de transpor essas ideias.
Tenho 27 anos e escrevo há cerca de 15. Comecei com diários, registrando meu cotidiano e o que sentia. Quando tinha 12 anos, em uma escola precária na zona norte de São Paulo, uma menina — que eu mal conhecia e, para ser sincero, nunca mais vi — me incentivou a escrever. Não pretendo dar um tom sobrenatural a isso, mas existem acontecimentos na vida que simplesmente não sabemos explicar. A partir dali, passei a olhar mais para dentro.
Naquela época, minha vida era caótica: pais separados, um irmão com deficiência, uma casa sem segurança onde fomos roubados diversas vezes. Minha mãe, apesar de ser uma verdadeira guerreira, enfrentava uma rotina extremamente difícil. Desde cedo, assumi responsabilidades grandes demais para uma criança. A realidade, então, se tornou dolorosa, e eu encontrava paz apenas na fantasia — ao fechar os olhos e imaginar algo que não existia no mundo externo, mas existia dentro de mim. Foi assim que percebi o poder da imaginação e como era eficaz transferir sentimentos para o papel. E assim comecei.
De certa forma, as coisas começaram a melhorar.
Depois desse período, minha mãe se mudou para uma cidade do interior. De certa forma, as coisas começaram a melhorar. Mesmo carregando marcas do passado, ali havia espaço para reconstrução. Foi nesse contexto que iniciei meu primeiro livro, O Caminho Inesquecível. A vontade de escrevê-lo surgiu de uma conexão muito forte que sempre senti com a mitologia celta — especialmente com a ideia de entrelaçamento da vida, onde tudo se conecta. Vejo a existência como raízes de uma árvore que cresce indefinidamente, criando caminhos profundos que, à primeira vista, podem parecer aleatórios, mas que sempre conduzem a um mesmo centro. Essa visão sempre me fascinou.
No entanto, essa forma de enxergar a mitologia não é tão acessível. Existem muitos contos antigos, mas nenhum traduz exatamente essa perspectiva — afinal, cada mente é um mundo. Por isso, decidi criar uma história que fizesse sentido para mim: tirar essas ideias do campo abstrato e dar a elas uma forma concreta, acessível a outras pessoas.
Levei bastante tempo para escrever e, ao longo do processo, fui amadurecendo como autor. Embora o livro siga uma linha narrativa, como qualquer história, O Caminho Inesquecível vai além do enredo principal. Ele não trata apenas dos conflitos apresentados, mas propõe uma reflexão sobre a própria vida: sobre escolhas, destinos e suas possíveis interações. Ainda que envolva elementos de fantasia, há uma tentativa de aproximar essas ideias da realidade. O livro também incorpora conceitos históricos, com algumas adaptações, e culmina em um desfecho em que o protagonista altera o curso natural dos acontecimentos — algo que será aprofundado no segundo volume.
O Caminho Inesquecível é, ao mesmo tempo, uma introdução ao universo que estou construindo e um canal que utilizei por anos para compreender minhas próprias aflições e questionamentos. O protagonista, de certa forma, funciona como um intermediário de tudo isso.